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Revista Lifeline

Publicada 10 meses por ano com histórias de recuperação escritas por e para membros de CCA. Disponível apenas para membros de CCA. Mais informações escreva para lifelinebrasil@yahoo.com.br ou ligue para 21 2532.5174 em horário comercial.

O Comitê de Lifeline tem um convite especial pra você!

Vamos lançar, no final de 2011, uma nova revista, de periodicidade anual, que terá somente depoimentos de membros de CCA brasileiros. Essa revista será gratuita e distribuída com exclusividade para todos os assinantes de Lifeline em Português e receberá um novo nome também, que vamos escolher juntos.
Contamos com sua ajuda. Escreva pra gente sobre sua história de recuperação em nossa irmandade.

  • Escolha um dos dois temas disponíveis: Recuperação Pessoal ou Prestação de Serviço.

  • No tema sobre Recuperação Pessoal, descreva como você estava fisicamente, emocionalmente e espiritualmente quando chegou a CCA e como está agora. Seja específico, descrevendo inclusive seu peso quando você chegou e o peso atual. Se tiver passado por alguma recaída, descreva como a mesma ocorreu e o que você fez ou está fazendo para se recuperar novamente.
  • No tema sobre Serviço, relate em detalhes como os Passos, as Tradições, os Conceitos e os Princípios do Programa de CCA têm ajudado você em sua recuperação pessoal.

Pedimos atenção às seguintes diretrizes do WSO para publicações locais:

  • Referências a outros programas de 12 Passos serão consideradas assuntos de fora da irmandade.

  • Evite fazer julgamentos ou comentários sobre a recuperação de outros membros de CCA ou sobre outros grupos ou juntas de serviço de CCA.

  • Procure transmitir uma mensagem de fé, força e esperança. Tente se lembrar de tudo o que o Programa de CCA já fez por você e divida isso com a gente.

  • Observe as nossas Tradições quando escrever seu texto. Em caso de dúvidas, consulte nosso Comitê ou um membro mais experiente do Programa.

  • Esta nova revista que estamos construindo juntos não é literatura oficial de CCA, nem foi aprovada pela Conferência Mundial. Portanto, não poderemos usar frases ou trechos da literatura oficial de CCA, nem mesmo a logomarca de CCA ou o nome de qualquer literatura de CCA.

  • Ao escrever e enviar seu texto, você estará autorizando sua publicação em nossa nova revista e autoriza também que o texto seja publicado na Lifeline em Inglês (caso não autorize o envio do depoimento p/ a Lifeline em inglês, indique isso em seu depoimento).

  • Por favor, use letra legível! E procure escrever um texto de no máximo 500 palavras.

Depoimentos que não seguirem as diretrizes acima não serão incluídos. Dependendo da quantidade e da data de envio, alguns textos serão publicados em edições futuras.

Envie seu depoimento para lifelinebrasil@yahoo.com.br. Aproveite também para dar uma sugestão de nome para nossa revista.

Ajude a divulgar em seu grupo. Este convite é para todos os membros de CCA do Brasil!

Com amor, em serviço,
Comitê de Lifeline em português

Lar doce Lar

Razões aos montes

Vim para o CCA porque eu estou com fome.

Estou com fome de ser escutado, de ser levado a sério. Preciso que me dêem tempo e atenção. Quero que as pessoas olhem para mim quando falo com elas. Vejo esta mesma fome nos outros, naqueles que agem agressivamente e no entanto gritam em silêncio: “Olhem para mim. Vejam que eu existo”.

Vim para o CCA aprender a sentir. Tenho me destruído com entorpecimento, compulsões e devaneios. Tenho um bilhão de lágrimas não derramadas. Quero ser capaz de expressar minha fúria. Preciso da cura que se obtém ao ser deixado sozinho, sem críticas ou agrado, quando só preciso de espaço.

Estou faminto por ser tocado e quero ser abraçado. Há muitos anos não deixo ninguém se aproximar de mim, meus melhores amigos foram personagens de romance. Preciso de abraços, principalmente quando estou com raiva, que é um disfarce do meu medo. Nada me faz derreter mais rápido do que um abraço caloroso.

Quero ser compreendido para contar aos outros minhas loucuras sem que eles arregalem os olhos. Quero que os outros me escutem e digam: “Eu o compreendo porque também estive lá”. É importantes estar perto de pessoas que falem nossa língua, a linguagem do coração. Tenho fome de ser aceito quando divido minhas vergonhas secretas. Dê-me audiência sem censura. Guarde o que digo como confidencial.

Procuro pessoas que sejam pacientes, que percam tempo tentando transpor minha fachada algumas vezes fruta e que desculpem quando eu tropeçar.

Preciso estar ao redor de pessoas que me lembrem de buscar “o progresso, não a perfeição” e que me digam “não vá embora antes que o milagre aconteça”. Preciso de encorajamento que me diga que eu posso me tornar inteiro. Preciso ver e ouvir falar de recuperação para que eu possa manter uma atitude de esperança.

Preciso estar perto de pessoas que estejam praticando os princípios em todos os seus assuntos, pessoas que incorporam fé, serenidade, moderação e gentileza. Ajuda verificar que membros que passam dificuldades se fortalecem quando mantém um contato consciente com o Poder Superior. Esses exemplos permanecem comigo, mesmo depois da reunião, gravados firmemente no meu coração.

Estou faminto por honestidade. Ouvir membros serem eles mesmos, dividindo sua dor sem nenhuma abstração, chavão ou representação, apenas a pura experiência que me dá força e esperança.

Quero rir, principalmente de mim. Quando conto como engolia barras de doce enquanto lia livros de nutrição, preciso ouvir a música curadora da risada.

Tenho fome de responsabilidade, das pessoas expressarem sua confiança em mim. Sou grato por ter a oportunidade de prestar serviço, sentir-me necessário e útil.

Vim para o CCA para estar ao redor das pessoas que buscam o que está certo em vez do que está errado, pessoas que falem de gratidão. Preciso ouvir as pessoas aplaudirem as histórias dos outros, mesmo que eles tenham contato um vitória ou a dor de um erro.

Estou ansioso por aprender. Minha alma alimenta-se quando ouço falar de um Poder Superior terno e ao viver um dia de cada vez.

Estou faminto por amor, por fazer parte de algo, de sentir que eu pertenço. Sinto isso na energia do final das reuniões, fazendo-me querer demorar-me em abraçar cada um.

Preciso ficar num lugar seguro, onde os princípios estejam acima das personalidades, onde o forte não domine o retraído. Gosto do processo ordeiro de saber o que esperar.

Quero retribuir o que recebi, dividir com os outros o que aprendi. Quero mostrar meu crescimento na recuperação e levar a mensagem que fala do trabalho dos 12 Passos, soprando velas nos aniversários de minha abstinência. Quero estar lá para as pessoas, da mesma forma que elas lá estiveram para mim.

Algumas vezes, tarde da noite, eu ainda fico com fome. O vazio me engole na hora em que não há reunião ou ninguém para telefonar. Mas agora, sei como alimentar essa fome. Abraço-me, escrevo uma lista de gratidão, perdôo-me, aceito-me, rio de mim mesmo e tenho uma conversa franca com o Poder Superior.

No dia seguinte, anseio por encontrar alguém cujo olhar esteja dizendo: “estou com fome”, talvez um novato escondendo-se num canto ou um membro antigo, voltando 25kg mais gordo e dizendo: “gosto do que vocês compartilham” ou “essa sua blusa é muito bonita. Posso te abraçar?”

Anônimo / Extraído de Lifeline em português, fevereiro de 1990